quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

He used to read me.

He used to read me.

yes
he used to read my eyes
he used to read my hands
soften them
handle them
he used to toutch my hair
smell it
brush it with his fingers
yes
he used to toutch my face
with his bright eyes
staring at me like it would be the last time
or the first time
yes
he used to read my eyes
and my heart
and my soul through it
yes
I used to stare at him
like he was the only in the world
that's why
yes
that's why my eyes where wide open
to his
dreaming of a future that never came
lost
in deep misunderstanding
shadows of love
shadows of brightness

shadows of fear
shadows of others
shadows...
hmarg - 2024-24-06







Albergue

Helena Gonçalves - Hotel Shuma - Poland
ALBERGUE

Arrumei a sete chaves
A dor o amor e o choro
Levantei-me e do sorriso
Fiz o lugar onde moro

Mudei o hábito e o rosto
E das tranças fiz saudade
Do corpo segredo mosto
Das lutas caminho trilhado

Dei-me livre e de vontade
E d'outras vidas fui pagem
Amores sem mágoa, liberdade

Mas sempre porto e margem
Serei de ti na verdade
E colo albergue paragem

LenaMar - 16/06/2016

Ocaso acaso

No ocaso dos meus sonhos
Brilha o sol do teu olhar
Quando os afagos presentes
Se encontram no meu amar

E não há melhor paisagem
do que o reflexo do mar
nos abraços que nos demos
nos momentos que tivemos
no carinho desse olhar

ontem hoje amanhã








sábado, 7 de setembro de 2024

A eira


  
Debaixo destas árvores frondosas
Desbravei as aventuras de criança
Numa dança de saias amorosas
Sem desventuras ou trauma ou descrença
Fiz feliz o olhar dos ancestrais
E risonho, esplendoroso, milagroso
O carinho de meus pais
Nos vendavais verdes de esperança
Ri, alegre, descontraída, inocente
Vestida de leves vestidos, de crença
Brincadeiras vivazes de adolescente
Criando amores eternos
Intensos, vadios, sem licença
Folhas caídas, guardadas em cadernos
Eternos...

Lenamar - 02/09/2024



quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Faltaram as palavras

 Faltaram-nos as palavras, meu amor

quando tanto havia para dizer

e nessa ausência delas se perdeu

uma vida inteira de prazer


Faltaram-me as palavras, meu amor

presas num turbilhão de emoções

num coração cheio de dor

numa partilha de ilusões


Faltaram-nos as palavras, meu amor

quando os olhares se despediam

cobriam  chorosas nossas almas


o mais fundo que podiam (e doíam)

nesse amor que se reclama, pura chama

adolescente, que grita em súbito clamor 




terça-feira, 13 de agosto de 2024

Avó Ana

Outro tempo!
A avó Ana. A avó Ana morava ao meu lado. 
A tia levantava-a pela manhã, lavava-a e vestia-a e vinha sentá-la no seu lugar de eleição, no banco à frente do forno e junto à lareira. Dava-lhe o pequeno almoço, que ela comia pela metade e sempre a refilar que era muito. Deixava-lhe uma banana no armário, com a recomendação de que a comesse, e o copito com vinho e açúcar sobre a "pilheira" a amornar, que ela bebia em pequenos goles durante todo o dia! Na verdade, tanto açúcar quanto vinho... 
Depois, a tia saía para cuidar dos animais, ir à lenha ou qualquer outro afazer.
Quando sentia que a tia já não estava por perto, a avó vinha ao patim... De lá, avistava o da minha casa, a ver se me via! 
Às vezes vinha só ao postigo da porta. Se me via, o que era frequente, pois eu andava por ali na brincadeira ou nas tarefas da mãe, chamava, quase num sussurro: "Ó Helena, anda cá, pequena! Chega aqui num'stante!". Eu obedecia e estava lá num segundo. Primeiro, quando ainda tinha mais forcita, trazia a banana debaixo do avental e dizia: "Pega lá, pega lá! Come-a tu senão tenho que deitá-la fora, só para não ouvir a tua tia! Come-a depressa, come-a depressa!" 
As primeiras vezes ainda disse que não, mas com o tempo fui-me habituando àquela rotina quase diária e, afinal, bananas naquela altura ainda eram uma iguaria que pouco se via na aldeia! 
Nunca cheguei a saber bem se mas dava porque não as queria ou porque achava que me faziam mais falta a mim! Mas sei que gostava de mim e que me defendia da minha mãe, quando eu fugia de casa para brincar com os primos sem dizer nada! 
Cada vez que ouvia a mãe a chamar zangada, era junto da avó que me ia aconchegar! "A pequena está aqui! Que lhe queres?" Então a mãe tentava explicar: "A malandra fugiu-me outra vez! Tem que levar umas palmadas!". Mas a avó era rija: "Ora ora! Não bates nada na menina!", e levantava o pau de apoio em riste, em defesa da sua pequena!
É entre o sorriso e a saudade que a lembro! Com carinho! Muito carinho! ❤️

sábado, 27 de julho de 2024

O teu sorriso

Sob a minha janela
Corre um riacho de águas límpidas
na primavera dos nossos abraços
Os teus olhos negros
Refletem a luz do sol acabado de nascer
E um sorriso largo ilumina o meu olhar
Como poderia não te amar depois desse sorriso?

quarta-feira, 24 de julho de 2024

O TEMPO

Parar os relógios
Parar os relógios 
Parar os relógios 

Abraçar a brisa 
Abraçar o sol
E a areia salgada
Beijar os silêncios
A maresia
O aroma das flores

Reinventar o tempo
No mosto de um beijo
E partir no voo de um sonho novo! 

Parar todos os relógios!

Resposta a uma publicação da amiga  Maria Clara Ferreira, 2020.





quinta-feira, 4 de julho de 2024

O sol no sorriso

O meu sol brilhou 

na manhã clara

Ao acordar no teu olhar

Doce pulsar

Morri ali mais uma vez

No doce aroma dos teus braços 

Ainda inertes e serenos

Do suave sono anoitecido

Ao som do namoro das andorinhas


O sol abriu no teu sorriso 

Quente e ameno

Como a voz


Foi pouca a tarde e a noite toda 

Pouco o luar e o despertar

Pouco o mundo

E todo o oceano

Medidos por dois corações em sintonia 


hmarg. 2024



segunda-feira, 13 de maio de 2024

Arco Iris


Eu acredito!
Acredito que se cada homem for e fizer o melhor que pode e sabe, este mundo tornar-se-á muito melhor!
Eu acredito!
Acredito que a Natureza tem a enorme capacidade de se regenerar e que todos nós, homens, não somos superiores a ela! Somos sua parte integrante e, tal como nascemos, também perecemos, maduros!
E gostava de acreditar noutras coisas...
Seria muito mais fácil...



quarta-feira, 3 de abril de 2024

Tristeza

Porque cantam as águas nas fontes?
Porque madruga o canto dos rouxinóis? 
Porque brotam as flores no meu jardim? 
Porque me entontece ainda o aroma do jasmim? 

Porque ainda há música no rádio, 
E ainda há festa nas praças da cidade,
Ou o canto dos coros nas igrejas, 
Se o meu coração é escuro e triste? 

Porque ainda acordo todas as manhãs
E sorrio ao mundo à minha volta, 
Se me perco nos fios amargos da solidão? 

Tão cheia de nada, tão vazia de tudo, 
Como posso sentir a tua mão 
Se se perdeu fora de mim? 



sábado, 23 de março de 2024

Primavera

PRIMAVERA
Foste verão quente
Foste estio
Foste a primavera 
Florida
Foste esperança e sonho
Vendaval sedento 
Apocalipse
Foste a minha esperança e ilusão 
Foste mão amada
Foste não 
Foste despedida 
Foste nada.