sábado, 30 de janeiro de 2016

Cantiga

Cantiga
Viseu, 2016, LenaMar

Havia um campo vazio
Oco escuro e frio
Plantaste um roseiral
E camélias já floridas
Naquele inverno chuvoso
E trouxeste a primavera
E a música do canto do rouxinol
E renasci
Levantei
Sorri

LenaMar_janeiro_2016


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Juventude

Fotografia da página de Rosa Carvalho no Facebook

JUVENTUDE
- Vens à tardinha à ponte?
Aquela, a da calçada?
Anda lá, vem ter comigo! 

- Não sei, olha qu'hoje saio tarde,
Tenho tanto que estudar
E estou tão atrasada!

- Prometo que vais gostar.
Hoje tenho uma surpresa,
Não me vou acobardar…

- Está bem, penso no assunto,
Mas só se me fores buscar,
Logo no final das aulas,
Eu não gosto de esperar.

- Descansa, estou à tua espera,
Venho a correr do liceu!

- Não precisas de correr,
Se tardares eu espero um pouco,
Também eu te quero ver.

lena mar - hoje




NÃO


NÃO

Não quero louros
Nem flores
Nem desculpas
Nem perdão

Não
Não quero nada de teu
Quero tão só o que é meu

Meu entusiasmo
Meu ser
Minha paixão
Meu prazer

Não

Não quero louros
Nem flores
Nem desculpas
Nem perdão

Quero a vida que me deves
A vida
Na minha mão

lena mar - abril 2012

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Uma vez uma vida



UMA VEZ UMA VIDA


Passou a madrugada
Ainda fria
E os medos
Os sonhos
De menina

Na alvorada, cânticos  
De esperança
Sinetas e trinados
De encantos
Apenas acendeu
Por uma vez
O fogo daquele beijo
Matinal

E o amanhã veio
E prolongou-se…
Perdeu-se a chama
E, no rescaldo,
O brilho límpido
Das sementes
Que florescem
No jardim

E o rio em seu curso
Arrasta a lama
Deixa água límpida
Em seu lugar
E mesmo não ardendo
Em grande chama
Há ternura
Bem
Paz
E luar

Mas eis que a tarde 
Se aproxima
E
Com vendavais
Levanta as cinzas
E, do restolho,
Quase morto,
Aviva a brasa
Acende o fogo
E onde ardera
Um lume brando,
Em seu torpor
Quase sem vida,
Há chama alta
Há um incêndio
Vivo…
Incontrolado
Cheio de cor…

Espera-se a noite
Agitada
Serena
Esmagadora
Calma
Dolorosa
Sofredora…
Onde a saudade
Reside e chora.



LenaMar – 2 de Abril de 2015

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Abraço

ABRAÇO

A minha pátria é o mundo 
E eu pertenço-lhe inteira 
Voo ao sabor do vento 
E bebo a chuva que cai
Nos meus lábios sedentos 
De amor ternura paixão…
Ando nesta bebedeira 
Deambulo pela vida
Não sei se ria se chore
Perdida numa vontade,
Que não sendo passageira
É certamente imoral
Diz-me, tu, o que pensar
De tamanho devaneio
Diz-me o que queres de mim
O que se passa em meu peito
Não me deixes na incerteza
Assim, partida a meio
Ó vida! Vá, anda lá,
Abraça-me no teu peito!

Helena Rocha 
19 de Maio 1984 - Sábado

domingo, 10 de janeiro de 2016

Ao pé de ti

AO PÉ DE TI!

Ao pé de ti eu não sou eu
Desmonto-me
Reinvento-me
E espanto-me
Desapareço no teu olhar
E não vejo senão a voz que me embala os sonhos
Ao pé de ti cresço e sou criança
Ao pé de ti sou mais gente
Contente?!
Talvez.
Feliz?!
Certamente.
Ao pé de ti
Todas as águas se acalmam
Todos os pássaros se calam
Todo o planeta se encolhe
e NÓS
Tão grandes
No centro
Mão na mão
Ombro a ombro
Ao pé de ti 
Não sou eu
És tu e eu
Mas um só
Ao pé de ti somos sol.

Lena mar – outubro – 2014

Gosto

GOSTO

Gosto de mar e de sol
De ouvir as ondas bater
No penhasco desta Ilha
De estar sozinha a ouvi-lo
Gosto…
De ler este livro e outro
Ao som da brisa marinha

Gosto…
Do cheiro do feno fresco
Cortado por mãos bem firmes
Nas manhãs quentes de verão
E de ouvir a passarada
Algazarrada e feliz
Fazendo ninhos de amor
Nos ramos bem abrigados
Tenros e elevados

Gosto…


De te ver chegar
Ao fim da tarde a sorrir
Gosto … tanto… de te ouvir
As palermices sem fim
Sorrio enquanto tu falas
E dás voltas na conquista
Daquilo que sem suspeita
Há algum tempo tens de mim

E agora… o que faço?
Sem teu olhar, teu sorriso,
Tua conversa, teu beijo enfim…
Fico à espera que a maré
Venha alta e te traga
Num rodopio, p’ra mim.


Hmar -1984

Do outro lado de mim


DO OUTRO LADO DE MIM...

Quando os sonhos se misturam
Nostalgia transversal
Percorridos os caminhos
Horizontes, vendavais
Paraíso universal
De sentidos sem medida

Alma corpo tudo junto
Correm procuram no tempo
Acrescentam um momento
Uma fuga um suspiro
A paz onde me retiro
No teu abraço fugaz

Caem silenciosas
Feitas feridas
Não lágrimas
Não no rosto
Na razão
Na palma da tua mão
Quando a toco levemente
Com intensidade incerta
Arrepio imensidão

Sou um espelho sem razão
Uma nuvem que passou
E tu um vento selvagem
Com rumo mas sem navio
Ou velas para navegar
Perdido em alto mar

Longe deste mar sereno
Que te acolhe assustador
Sempre que vens procurar
A medo
Quase vazio

Na sacola só a dor

Vem sarar as nossas almas
Acalmar dessas tormentas
Fazer do riso uma flor
Navegar em águas calmas
Coloridas doces afãs
Encher o copo vazio
Com o mais doce licor
lena mar – 28_06_2015

Luísa Dacosta

Poema que fala... de ... tanto...

LUÍSA DACOSTA
Como quem procura conchas à beira do mar,
escolho as palavras para te dizer,
quando o silêncio dos teus braços
vestir o frio dos meus ombros.
Apelo
Atravessa os campos da noite
e vem.
A minha pele
ainda cálida de sol
te será margem.
Nas fontes, vivas,
do meu corpo
saciarás a tua sede.
Os ramos dos meus braços
serão sombra rumorejante
ao teu sono, exausto.
Atravessa os campos da noite
e vem.
A Maresia e o Sargaço dos Dias, Porto: Edições Asa, 2002


Eu

EU

Aqui e agora é o lugar onde estou! 
É aquilo que sou.
Aqui e agora encontro-me comigo
e vivo!
Sim, vivo.
Respiro, dói-me o pé, ouço música, corrijo testes...
Estou aqui e é bom sentir-me!
Estou em mim e aceito a vida como dádiva.
Estou aqui e aceito os outros como são
porque cada um é um mundo diferente
e livre.
E, quando nenhuma liberdade existisse,
haveria sempre a do pensamento...
Aqui e agora, ainda sou livre para pensar,
livre para amar
e livre para optar por não descriminar o outro,
ainda que haja diferenças incontestadas.
E, enquanto a calma me invade o pensamento,
sou feliz por estar aqui e agora.
E mesmo que queira por vezes não ser eu,
ou estar noutro lugar,
agora estou onde tenho que estar
e estou feliz por viver 
respirar, ouvir música, sentir a dor no pé e corrigir testes..
e ter a capacidade de sentir...
Boa noite.

Helena Gonçalves
13 de Fevereiro de 2015

domingo, 3 de janeiro de 2016

Gandhi

"You never know what results will come from your action. But if you do nothing, there will be no result." Gandhi