Neste olhar etéreo de um ocaso breve
Ouço o silêncio da tua voz quente
Sopras-me ao ouvido ventos de ternura
E trazes nas mãos o calor ausente
Âmbar solar que a face não sente
Enlaça a mão que minha alma apura
LenaMar
Uma casa no alto da montanha
Quando eu era pequenina
Tinha sonhos encantados
Queria chegar ao céu
Só com sapatos calçados
Lia livros coloridos
Na roda do velho moinho
Escondia cartas nas pedras
Nos muros do meu caminho
E sonhava que voava
Ou que caía do alto
Sem ter quem me aparasse
Na queda do grande salto
Mas muito mais do que tudo
Dos sonhos mais bem pensados
Sonhava ter uma casa
Com um coração de amor
E acolher os meninos
Ensiná-los a escrever
A ler muito com expressão
A sentir o seu calor
Lá no alto da montanha
Um miradouro escritor
Onde surgisse e valesse
Somente o amor o amor