UMA VEZ UMA VIDA
Passou a madrugada
Ainda fria
E os medos
Os sonhos
De menina
Na alvorada, cânticos
De esperança
Sinetas e trinados
De encantos
Apenas acendeu
Por uma vez
O fogo daquele beijo
Matinal
E o amanhã veio
E prolongou-se…
Perdeu-se a chama
E, no rescaldo,
O brilho límpido
Das sementes
Que florescem
No jardim
E o rio em seu curso
Arrasta a lama
Deixa água límpida
Em seu lugar
E mesmo não ardendo
Em grande chama
Há ternura
Bem
Paz
E luar
Mas eis que a tarde
Se aproxima
E
Com vendavais
Levanta as cinzas
E, do restolho,
Quase morto,
Aviva a brasa
Acende o fogo
E onde ardera
Um lume brando,
Em seu torpor
Quase sem vida,
Há chama alta
Há um incêndio
Vivo…
Incontrolado
Cheio de cor…
Espera-se a noite
Agitada
Serena
Esmagadora
Calma
Dolorosa
Sofredora…
Onde a saudade
Reside e chora.
LenaMar – 2 de Abril de 2015

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