Porque madruga o canto dos rouxinóis?
Porque brotam as flores no meu jardim?
Porque me entontece ainda o aroma do jasmim?
Porque ainda há música no rádio,
E ainda há festa nas praças da cidade,
Ou o canto dos coros nas igrejas,
Se o meu coração é escuro e triste?
Porque ainda acordo todas as manhãs
E sorrio ao mundo à minha volta,
Se me perco nos fios amargos da solidão?
Tão cheia de nada, tão vazia de tudo,
Como posso sentir a tua mão
Se se perdeu fora de mim?
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