sexta-feira, 1 de abril de 2016

Manhã de sol

R. Ponte de Pau, Viseu - 31-03-2016
Manhã de sol ou primavera

De madrugada acorda a saudade... 
de mansinho... 
sorrateira e incerta... 
bate à porta da muralha dos meus olhos cansados e transfigura-se. 
Segue lágrima ferida de sangue, o contorno ovalado do rosto... 
Aloja-se perdida no sopé do peito dorido.
Sinto-a fria... a saudade.
E a carícia que então recebe  o peito caído, 
alimento de três crias há muito desmamadas, 
essa carícia solene, 
feita sangue vertido em lágrima, 
traz consigo aquela mão que, 
sorrateira e decidida, 
lhe pegou e possuiu.
E... Ah! como é boa esta saudade! 
De quê?
De mim... de mim contigo. 
Da promessa que fui ao teu lado. 
Ainda sou. 
Mas contigo. 
Só contigo!

LenaMar - 02 de abril de 2016

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