Ai cidade
Gosto de ti
Gosto de ti serena
Quando à noite já cansada da azáfama
dos dias
Encostas a cabeça na almofada da Sé e
dormes
Quando fechas os olhos e te enroscas
a Sul
no Moinho de Vento
ou na Meia Laranja
Quando o dia claro e solarengo dá
lugar à luz do candeeiro
e torna amarelo o teu vestido de pedra
Quando a rua Direita é ainda um
murmúrio delicioso
Gosto de ti de manhã cedo
por entre as árvores do Fontelo
e do cheiro a terra e verde que lá
tens
Gosto de ti com cheiro a café forte
no Rossio
ou na rua da Paz
Quando a rua é já vazio e a luz clara
já partiu
Gosto de ti na noite de verão
nas ruas íngremes que percorres
até ao latoeiro ao queijo e ao
presunto
Gosto de
ti no telhado de pedra dessa Sé
que me
viu estudar…
contemplar…
amar… chorar…
Mas
gosto sobretudo de ti
na
calçada que atravessa o rio
e sobe ligeira
até ao teu ventre
e me
deixa aninhada
e
ofegante no carinho dos teus braços
Gosto de
ti nos etéreos recantos
desse parque
dos amores
onde a
manhã sabe flores da primavera
e a
tarde a outono quente
Gosto
gosto muito de ti
Gosto de
ti ao longe nas breves ausências
E de
voltar a entrar … devagarinho…
Sem pressas
Suavemente
Saboreando
cada pedacinho
da tua
voz
da tua
carne
da tua
ternura
És minha
Sempre
foste minha
Estou em
casa
LenaMar - fevereiro 2016
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